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21 julho 2009

Orgulhos que se escondem

Escrevo quando me apetece, não é à toa...
vejo isso como ir para a corrente... sem ter remos na canoa.
Não gosto de me repetir, e se o faço é sem querer,
só se for algo a pedir para nunca mais se esquecer.

Não gosto de tristezas, já tanto me feriram,
não gosto dos orgulhos que se escondem e giram,
por aí como se nada fosse, e eu não existo?
Tudo o que digo é mentira...? Então assim eu desisto.

Não compreendo... já não quero saber,
ensinaram-me a ser real p´ró que der e vier,
já não lido com quem se esconde p´ra não dar parte fraca,
agora sou eu que não responde neste mundo da caca.


Sejam reais, as amizades não acabam só por causa de guerras de amor e relações.

16 maio 2009

Estou na poltrona...



Por aqui ou por ali me perco...
vezes sem conta,
se hei de fugir deste meu cerco,
já nada me encontra.

Tranquilizei com a mão que ajuda,
para não afundar,
lacrimejei no lago que inunda...
por me abafar.

E é tão algo inevitável e irónico,
onde tudo se torna encaixe no meu próprio puzzle crónico,
de querer me refugiar no que me encontrou...
e de estar a assar em água que a mim afogou.

E transforma-se desregrado, selvagem em chamas,
esta aura que emana sentimento sem escamas,
não há métrica que controle este descontrolo interior,
são só mais umas horas vagas onde liberto o vapor...

...do meu ser.

11 maio 2009

O meu quarto é cor de laranja


Entre quatro paredes velhas,
fico parvo como assemelhas,
nestas paredes cor de laranja,
de sopa quente fico como canja.

Escrevo parvo porque o sou,
sinto o lago que me rimou,
sirvo as chagas ao passado,
e fortaleço o que foi derramado.

Vou reaprender porque preciso,
sorrir é fácil fora o juízo,
no indicio do precipício,
lanço a pedra e fumo o vicio.

E como estou numa de divagar,
vou me acalmar bem devagar,
e é só isto que se arranja,
entre quatro paredes laranja.


(isto é sinal de felicidade, sinal de que algo me traz vida, pode ser a minha saída, para a infinita partida, de uma escrita sentida.)

beijo cor de laranja

10 março 2009

Tenho sentido


Vejo que tudo o envolve,
esse ar que tanto devolve,
vê como me move,
eu transmito no que resolve.

Já giramos no impossível,
continuamos à deriva,
mas sabemos que é de outro nível,
pois aos poucos nos cativa.

Então cá estamos quando podemos,
serenos momentos fazemos,
ao menos já entendemos,
o que de gosto queremos.

Afinal, não somos insensíveis,
eu é que faço águas invisíveis,
talvez por velhas guerras,
do passado no meio das serras.

03 março 2009

Encontro poético



Ou te escondes para aparecer ou para algo dizer,

sou refugio de um diluvio que julguei ainda ter...
Esta é a minha alma já a sentes presente?
Será que ela te aperta e aconchega o momento?


Quando te vejo logo tremo,
quando respiras eu suspiro,

quando apareces algo temo,
e vejo que do poro transpiro...

Por isso fugi, não destruí o meu ego,

na tua beleza e pureza quis sentir como o cego,
e senti... e quando vens ainda sinto,
como naquela noite que me deu algo novo e distinto.

Diz me de uma vez ou cala te para sempre,
afoga o meu aperto de uma vez para sempre,
lidar com isto é duro mas matar isso ajuda,
diz só que me queres e a minha alma logo muda.

Diz que me desejas, se é isso que pensas,
diz que sou o teu ar repleto de poesias imensas,
diz que não sou artificial e isso sempre o viste,
isto não é um ultimato é um desabafo de um triste.

20 fevereiro 2009

Sentimento cobra




Encontrei-te novamente, quando te ouvi no aparelho, doce, cruel simpatia, que me renasceu algo velho.

Já há muito me perguntava, e por isso não esperava, porque disto quem aguarda,
alcança vazio que retarda...
Como pulas agora...já nem sabia o que era isto! Deixa-me fugir dessa fábula,
pois de cachorro não persisto!

Talvez insista, se me deres a tua vista, se subires a minha montanha,
chamava-te alpinista!
Creio que estou a vaguear, acredito que pode cair mal,
não quero em vão acreditar, não... não me quero amaldiçoar!
Não quero ser mais uma vitima, das malhas do sôfrego estar,
se me desses prova legitima, saberias do que estou a falar.

Sou mais subtil, mas também faço-me de forte,
e nisto caio inútil, após o suposto corte.
Mas quem sabe do que acontece, se vale a pena permanece,
quero saber se te preenche, o que a mim me enriquece.
Vou descobrir... daqui a pouco mais saberei,
talvez um índice do maestro, algo que ainda não saboreei.

Mas estás aí ou não? Tal como eu já procuras,
do teu lado vejo mais figuras, do meu lado estrelas e luas...
Mas eu encontrei-te. Se és ou não já não sei,
deixa-me só falar com o tempo, porque já sei do que errei.
Podes entrar...

19 fevereiro 2009

Contraste maldito


Estou num ponto de viragem,
onde sou rio de passagem,
mil imagens me passaram,
mil estradas se caminharam.

Vivo no forro da miséria,
que me diz em sofrimento,
só assim se leva À séria,
a bondade do pensamento.

Cruzes faço no percurso,
na minha boca e no meu uso,
perco vida enquanto abuso,
ganho alma de ser luso.

Enredo por certas labaredas,
queimo partes do segredo,
cinzas,fertilizo merdas,
elevo plantas em sossego.


Minhas historias levam memórias,
daquelas que já nem lembro,
fraco levar de poucas glórias,
sou mais um que do solo é membro.

Sigo e digo no sigilo,
no meu posto de vigia,
som da rua já não é o grilo,
que na varanda ouvia.
 
Copyright 2009 Cevada